sexta-feira, 17 de julho de 2009

BEM FEITO!

Recebi a segunda intimação para prestar contas como “empreendedor” da peça “Os Idos de Março e os Ódios de Abril”, encenada sob a direção de Paulo Maia e com elenco conhecido. Assim, minhas tentativas de prestar contas através de contador contratado e com experiência setorial resultaram frustas, à falta, talvez, do ajuste pessoal a que aquela Fundação Cultural está por tanto sujeita.
Jamais pretendi, além de teatro sério, coletar recibos fraudulentos, borderôs”inchados” e salários adulterados; não fiz parte dos grupos de interesses que selecionavam peças e atentavam sanidade “empresarial” às “famílias de empreendedores” (grupos que faziam o rodízio familiar dos postulantes aos financiamentos públicos), E, ao contrário, foi-me oferecida a inauguração da Casa Vermelha e retirada a oferta 12 dias antes do espetáculo como um sobejo.
De qualquer modo “contestada” a prestação de contas que fiz, fui intimado a “represtar” documentos assecuratórios das minhas despesas com dois elencos em que a peça se transformou, sendo que os “Idos de Março” sob minha direção e os “Ódios de abril” sob a direção de Paulo Maia. Às vésperas da representação da minha parte concelei-a depois de alguns incidentes com o ator Edson D’Ávila e com sua mulher-dirigente do sindicato dos profissionais de Teatro onde intrigava a corporação.
E assim, incorporei os “Ódios de Abril” como a parte efetiva de um processo geral com o conteúdo essencial da peça que Paulo Maia e um bom elenco transformou num grande espetáculo.
Volta a burocracia intelectual da Fundação Cultural de Curitiba à sua fixação com a seriedade cultural que não alcançou com o “seu empreendedorismo de fachada. E, escolhendo ao alvitre dos honestos e virtuosos dirigentes, procuram justificar a sua ação seletora nas aventuras artísticas.
De uma coisa estou convencido: se eu sabia que aquilo não podia ser sério, por que me fui socorrer de seus recursos para tentar fazer teatro? Não me deixaram e se fiz alguma coisa importante dela não fizeram registro público. Paguei a todos o melhor salário; fiquei mais pobre e devedor numa prestação de contas que a burocracia política exulta em cobrar.
NB. Eles afirmam que eu devo; eu afirmo que me devem seriedade. E quem quiser saber, falem com diretor, técnicos e atores que já se empenharam.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

CONFISSÕES LULISTAS

Alienações políticas de lado, esperanças desarrazoadas à parte, sempre tive de reconhecer no companheiro Luiz Inácio Lula da Silva a liderança social formada no duro combate da existência subalterna. Experiência no trato humano + intuição e coragem fizeram dele o ícone político proletário esperado pelos movimentos de massa organizada ‑ vinha preencher o vazio que o agitpropôs do Partido Comunista Brasileiro, na sua retórica revolucionária sem comando revolucionário e sem quadros políticos, espargiu pelas cabeças tontas da intelectualidade e do oportunismo sindical.
A formação do Partido dos Trabalhadores não tornou claro, entretanto, se a malícia da “Igreja de esquerda” por uma “terceira via” política frente ao apoio social conservador da classe média à ditadura militar havia feito suficiente advertência de que “no Ocidente” não haveria lugar para democracias “cristãs” regidas pela força do povo, Exceto tentativas em armas, então já superadas. Os rendidos pelo golpe e desiludidos de “organizações revolucionárias” se renderam: às comunhões pastorais salvacionistas e à agregação de centro-esquerda ora “revolucionária de massas” ora acenando com a “ascensão dos “trabalhadores” pela argúcia da fé,
Compreendemos:Lula não emburreceu; despiu-se da “coroinha”. A luta ideológico-política avançou e os liberais-conservadores aceleraram a corroer as instituições que sempre dominaram com alguma pudicície até o golpe; e agora às escâncaras com a cumplicidade do PT e sua nova classe de executivos. O PT e Lula, sendo sócios ideológicos da “primeira” e da “terceira” vias político-ideológicas tinham que cumprir sua missão: o “capitalismo social”, pequenas reformas capitalistas e o descaramento econômico-político público-privado. O poder político inteligentente sublimado.
Ao final, apascentar o gibão de Gilmar Mendes, ser defensor da corrupção de José Sarney e exaltar Nelson Jobim é demonstrar que vai chegando ao fim aquela ilusão trabalhista de 1980, como coroamento de alguma reorganização política do que restou do trabalhismo e do “revolucionarismo”. Agora vemos, Lula quer salvar a crise não as classes trabalhadoras da crise.
O besteirol que tomou a língua de Lula é a pá de cal da “terceira via proletária”.

O DISCERNIMENTO DAS BESTAS

O que será que Gilmar Mendes acha que seja ideologia? A mente do apedeuta, incapaz de acolher ciência, positividade técnica e objetividade ou os conteúdos de mente conformada pela formação de classe social, seus interesses e fins? Ou, ainda, o conjunto de idéias, demandas e justificações que nos individualizam os desejos e os direitos? O pretensioso aventureiro político, o enxundioso pelego da atividade jurídica, o exibicionista das cavalariças reais berra ao mundo sua constante confusão entre terrorismo e ideologia. Inadvertidamente, é claro, pois sua ideologia jurídico-política, seu convencimento de aproveitar-se do poder e da sabedoria político-jurídica é que, mais do que a capacidade do STF, está sendo julgado pelo Brasil. Ao arremate do coice, o rábula político que se fez advogado, o oportunista que se faz representar na luta pelo Estado de Direito Democrático, Nelson Jobin; o falsificador da redação constituinte de 1988, esse “patife ilustre” que os desvios de Lula levaram a substituir o íntegro Waldyr Pires ‑ para agradar a quadrilha dos mercenários das forças militares ‑; pois essa besta chama de “revanchismo” a reinstauração cabal do Estado de Direito no País, ainda sob a apologia do golpe de Estado de 1964/86. Que essa figura despreziva, sem princípios efetivos, venha a desfigurar a idéia de Estado Social e Democrático de Direito não nos espanta; o que é abusivo é seu infamante discurso, de que não somos capazes de encontrar o futuro que merecemos.
Como reflexo da grande crise sociopolítica, as “altas cortes” da burocracia institucional vem expondo suas origens e conquistas na formação e domínio do Estado-Brasil. Os tribunais superiores mostram a eiva de uma “elite civilizadora” que se sobrepõe ao espírito e às intenções da Constituição de 1988; a “representação político-institucional” das câmaras legislativas se dedicam ao botim de classe, com a idéia de que democracia política é queda de braço entre agentes das propriedades e profissões na afirmação de quem tem contra quem não tem força representativa; e o poder executivo se confirma poder de classe proprietária mas com “renovações democráticas” de novos agentes sociais como “classe emergente” ao poder político: “Os trabalhadores, ao poder”!
De qualquer modo, devemos reconhecer que as duas bestas do apocalipse nos ajudam a reconhecer a enorme crise social, política e institucional à frente. E não nos deixarmos iludir com esse “estágio” das nossas “instituições civilizadoras”, seu capitalismo social e o discurso presidencial da cesta básica e do pré-sal. Denunciemos os “patifes ilustres” e os pelegos políticos e sindicais que lhes dão poder.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

CONFRARIA DOS TRUÕES

Fui intimado por um grupo de estudantes a oferecer respostas à crescente desagregação cultural-política em confronto às informações técnico-científicas que se transformam em vulgatas (“pragmática”?) educacional-culturais. Difícil entender cientificamente, para explicar coerentemente, que sei eu, senão que a pressão de massas e a sua comunicação social estão caminhando em sentido divergente; exatamente porque meios privados de comunicação social não correspondem ao que necessita a sociedade para informar-se.
Preferi fazer uma autocrítica por me terem incluído no rol dos sabidos. E a partir daí usar o senso comum: além da apropriação privada da informação e da hierarquização de sua importância “para venda”, nos interstícios dos grupos, estamentos e classes transparece a hegemonia de poder de classe e suas atividades intelectual e técnica que passam a orientar os interesses gerais, impondo chefias e lideranças alienadas.
Todavia, isso não é tudo: a feroz disputa de domínio político-cultural entre segmentos sociais faz das idéias sociopolíticas e do estilo pessoal das lideranças um especial cenário cultural-político a limitar as atividades de grupo. Chega a ser mais grave ‑ para contra-reptar a alienação social e política ‑ a ação dos grupelhos performáticos “donos do discurso ideológico” com que substituem a realidade social por seus desejos enfeitados de utopias: eles ocupam o cenário e os debates.
Em resumo: não sou a pessoa indicada para responder e não sei realmente o sentido político e ideológico dessas perguntas. Se alguém puder esclarecer como estão funcionando esses pequenos clubes ideológicos de irados alienados, ou tiver a chave do cofrinho do saber, por favor abra-o para nós.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

QUEM LHE VIU A CARA ATURDIDA MAS JÁ NÃO CONSPÍCUA

Assumiu convicção e não mais passar de tolo ao se envolver em julgamentos de caráter mais do que de atitudes e disposições de classe que conformam a política. Aquele varão era afinal José Sarney, decantado institucionalizador do processo de “redemocratização” que vem aos tropeços desde 1988 embaindo as classes subalternas brasileiras.
Aquela cara moldada ao singular é do mais antigo feitor de sesmarias, senhor de terras e poderes mal-havidos desde os primórdios da República dos Terratenientes, em que o estalão militar para garantir-se influência e poder se associou à decadência patrimonialista da aristocracia de segunda classe que dividiu e dilapidou o Brasil pós-colonial.
O biltre, o pilantra, o “patife ilustre” com que o distinguiu a política brasileira de 1936 a 1964 e daquele ano até 1986 tem sido uma “garantia democrática” de que seremos a “herança da terra” e da violência social de classe sob as guardas do liberalismo- conservador; agora em aliança com o “populismo de esquerda” vestido de capitalismo social para todas as as garantias da estabilidade econômico-política.
A cara aturtdida era porque alguém se atrevera a denunciar-lhe a corrupção deslavada no condomínio do Senado da República.: Foi, era, é, responsável pela corrupção institucional das nomeações e concursos irregulares no Senado da República, Como em todas os importantes aliciamentos de corrupção e votos nas cortes superiores do País, do Superior Tribunal de Justiça ao Tribunal Superior Eleitoral e destes ao cerne do poder institucional, o Supremo Tribunal Institucional. Entre eles, a defesa “mercenária” das imputações feitas a Roberto Requião de Mello e Silca, que se deve, ao mínimo, o bejja-mão publico.
Nada acontecerá a José Sarney, Gilmar Mendes, Fernando-Henrique Collor de Melllo, Pedro Mallan e consócios. Afinal, essa é a República em busca do destino dos incluídos e dos trabalhadores organizados sob o novo peleguismo políticos.

POEMÁTICA

Ao inventor do quadrado de quatro pontas
José Luiz Gaspar

Xamãs tupiniquins alvoroçados
‑ cada qual com seu fado ‑
vão denotando como que se faz
‑ um pouco na frente, outro atrás ‑
espetar pelo ramos as rosas
‑ galhofando-as nas glosas ‑
de raspar seu lápis na lousa
‑ para extrair enfim outra coisa.

Apenas um som não faz sentido
seu sentido é que procura o som.
como criança brinca de bandido
enquanto o ególatra tasca seu tom.

Todas palavras gozam à ideofrenia
arritimando-se pelos batecuns,
sempre desiguais como um +um.
O coração despulsa nessa sangria
ensandecido numa feroz dislalia
em que coaxaria refaz sua cultura.
Aí, a bilurribina exsuda acumputura;
a pele triscada, um calor à mente
e no verbo um som intermitente:
Batecum! Batecum, mais um.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

SACRIPANTAS E ANÔNIMOS

Quem é o responsável pelas mortes nas estradas brasileiras, que, além de delegar o bem público rodovia ao empresário privado, se omite no controle jurídico-policial dessas vias assassinas? Nem rodovias nem veículos nem passageiros estão sob responsabilidade do Estado? O Poder Executivo se omite e alega que somente as parcerias público-privadas poderão privatizar as graças e desgraças públicas.
Quem ou o que indicou, facilitou e protegeu (a confraria do poder?) servidores do Senado nas operações fraudulentas, que vêm sendo executadas com inteira liberdade. Quem protege latifundiários e grileiros responsáveis por trabalho escravo, por roubo de bens naturais, por irregularidades de localização e funcionamento -- os quais, flagrados em ilícitos e condenados à perda de propriedade, são mantidos pela desídia do governo Lula e seus comissionados --, enquanto jornais, procuradores e políticos desencadeiam campanhas de infâmias contra os postulantes da reforma agrária?
“Patifes ilustres” não são apenas os condôminos da família José Sarney, donos da Sesmaria Maranhão; nem o capo Ronaldo Caiado, médico consócio em grilos (ilegítimos de origem, confirmados na posse e legitimados pelo mando político) e protetor de terras legalizadas pela incúria oficial e pelo compadrio eleitoral. Nem Gilmar Mendes, essa mais abusiva e afrontosa figura institucional brasileira, que deve ser apontado como líder dos malfeitos, um exótico juiz-delinquente a pisotear o que restou de nossas virtudes cívicas.
O que chamamos “democratização” é um processo de aculturação desses privilégios e escândalos -- que vão da apropriação de bens públicos, à posse e autoatribuição de serviços e funções públicas, ao nepotismo deslavado, à concussão associada à corrupção funcional --, e o processo político-eleitoral é a consolidação desses usos e costumes.
Agora mesmo, o Instituto Médico-Legal do Paraná diz que não lhe sobrou uma gota de sangue do deputado Carli para ver se álcool e cocaína o levaram a matar dois jovens com seu automóvel a 190 km/h. O “procedimento legal” foi fazer exame de dosagem nos rapazes mortos ao receberam o impacto. A justificativa estúpida é de que o exame de sangue de um deles (em coma), o deputado, não pode legalmente ser feito para instruir o processo, porém o dos rapazes, pobres e anônimos, a rotina e a lei mandam. O tempora, o mores.
Por último, “a solidariedade oficial ao causador”, por sua condição de deputado, é a demonstração da complacência com crimes e desrespeito aos mortos”.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

ESTARRECIMENTOS

Dois Estados teocráticos: Israel e Irã ‑ o primeiro, capitalista-desenvolvido, mas dependente na condição de Estado-enclave norte-americano; o segundo, pré-capitalista no geral, mas com áreas progressistas e avançadas já coordenadas pelo capitalismo de Estado.
A autodeterminação popular-democrática em sua expressão mais nítida não existe em ambos, embora a formalidade eleitoral. Nos dois, as pessoas independentes e/ou laicas (pelo menos como ativistas da liberdade pessoal) constituem minorias subordinadas à realpolityk de seus governos teocráticos, que se apresentam ameaçados por um inimigo “mais ideológico” (com base no ódio étnico-racial, colonialista-anexacionista e com suporte de forças militares supraterritoriais) do que “político” no sentido de clareza quanto a ações, forças e definição com domínio de fronteiras.
As condições de existência são diferentes: o Estado teocrático em Israel, aceito por todos os judeus como fundamento do colonialismo e expansionismo sionista, é base militar-imperialista dos Estados Unidos para o controle político do Oriente Médio e para apropriação das reservas minerais estratégicas da região. O Estado teocrático do Irã foi reinstaurado ideológica e politicamente para alcançar a independência nacional e liquidar o regime aristocrático-colonialista de Rehza Pahlevi imposto pelos Estados Unidos e Inglaterra para a “sua colônia petrolífera”; daí o apoio nacional com que conta.
Nova diferença: a “Grande Israel” apoiada por Washington e por seus asseclas da OTAN é um projeto estatal colonialista-racista que já ocupou territórios além do que lhe fora concedido pela ONU em 1947-48 e transformou os remanescentes histórico-proprietários árabes em mão-de-obra oprimida e semiescrava (como “deveriam ser os árabes” para o “Ocidente”?); ademais, tudo assim se vai apresentando como consolidação de uma política e sua cultura ocidental-cristã no Levante. O Estado teocrático do Irã sustenta persuasão ideológica muçulmana para atingir a exemplar conduta civil, não confia em não-religiosos para as funções de Estado, porém não confisca terras de não-crentes ou de alheios ao impressionismo maometano, que gozam de toda liberdade civil.
Os Estados Unidos e seus comandados na ONU conseguiram há 10 anos anular a caracterização político-ideológica do sionismo como doutrina colonialista-militarista e racial para a formação de um Estado no Levante. E conseguiram porque lhes “é vital” um Estado-enclave, contra as evidências fascistas do governo judaico sobre os povos e nações do Oriente Médio.
Estamos assim, quando aqui no Brasil centenas de judeus sionistas se movimentam, com apoio comprado na imprensa servil aos Estados Unidos, contra os discursos claros e objetivos do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad a respeito do sionismo, de Israel e da política colonialista norte-americana. As mistificações ideológico-políticas do sionismo vão chegando em forma de pressão ao governo Lula. Esperemos: ou mais uma rendição do petismo eleitoral ou a reafirmação de princípios filosófico-políticos.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

A CORTE E OS NOBRES

Quantos assistiram à troca de doestos entre os ministros Joaquim Barbosa e Gilmar Mendes se sentiram árbitros do insólito. Um episódio “insólito” como raridade e não como rústico e aberrante ‑ infelizmenre ainda inusitado sempre que houver mais em jogo do que opinião e discurso. Sobressaindo-se, a contrapelo do fato, surge alguma acusação subjacente à troca de insultos, a de haver “rusticidade” por falta de “polidez” e “prudência”; a esconder, porém, em cada acusador o cortesão que se confirma um meritocrata de origem, conformação notável e ademais vezeiro no uso de ademanes nas ritualísticas institucionalizadas.
Em verdade, verrinas partiram de Joaquim Barbosa enquanto Gilmar Mendes tentava desviar-se da enodoada imagem pública que lhe está sendo imputada nesta sociedade à procura de modelo democrático jurídico-político.
A conduta civil pública dos ministros Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa de imediato foi distendida: ao presidente do STF por intervenções políticas e jurídicas indevidas ‑ como no “affaire” Daniel Dantas, a Operação Satiagraha, as acusações sem provas da existência de escutas telefônicas. e a formação de entidade e grupo jurídico-dependente de sua tutela privada ‑ enquanto ao ministro (do “baixo clero”?) Joaquim Barbosa pelo destempero com que costuma retrucar desconsiderações no colegiado e pela retórica contundente contra os desafetos; fatos pouco comuns no “aerópago de Minerva”.
Não seja porque a investidura na Suprema Corte deva brunir noviços em cortesãos polidos e afetados e sim porque sua prática corporativa deva aplainar contradições e conflitos ideológicos, de formação e caráter; para que a função precipua de analisar-e-julgar deva ser ponto de equilíbrio de um poder que ao extravasar julgamentos não extravase idiossincrasias e vantagens.
Todavia, além de vontades e personalidades contidas nos ritos e procedimentos tradicionais a ideologia de classe e a ética de compromisso, mais do que de “responsabilidade”, acabará identificando cada membro do colegiado do STF. E então sua representatividade ético-social vai suplantando o brilho da retórica e suas tecnicalidades de valor e proveito.
Têm sido constrangedores os débitos morais e a exótica vassalagem com que os ministros Celso Mello, Vitor Peluso, Menezes Direito et têm encabeçado “a corte ofendida” pela irritabilidade contundente do ministro Joaquim Barbosa. Isso em nome de um “colegiado de iguais”, essas atitudes de vassalagem ao eventual “chefe de poder” ocultam mais do que ressaltam.

ESTRANHOS E PERIGOSOS

Cultura essencialmente ágrafa ou insinuantemente letrada para os efeitos de exibir-se em público ‑ na verdade, só por ter ouvido falar de questões profundas e participado de aulas e comícios, e de fraternizar num clube ideológico-político de auto-apreciação-e-estima ‑ ele é o controverso perfeito idiota que não perdoa o Lula por ser inteligente demais sem diploma e lamenta que Fernando-Henrique Color Cardoso seja cultura das ciências sociais com verniz internacional de falar cinco idiomas. porém não passando de um gangasterzinho barato nas lides capitalistas. Onde você esteja, qualquer que seja o tema, a besta não se avexa de lhe ocupar a paciência com o que leu no noticiário de O Estado de S. Paulo, na Folha de S. Paulo, em “O Globo” e nas revistas Veja e Isto É, ou ouviu algum jornalista comentando questão em entrevista momentosa. O imbecil “prêt-a-porter” da política, à direita ou à esquerda, quer ser notado e nomeado, porque se julga “um seu igual” em preocupação, compromisso e estudo.
1 - Ele é um produtor primário que filosofa: “não cresce uma planta ou um ‘pé-de-pau’ sem que Deus queira” (ou alguém que mande mais); “não se muda metal sem competência e ambiência”, e com apoio na sorte vamos buscando resultados”. O que pensa sempre lhe serviu aos usos e assim leva seu farnel de fatuidadesl. 2 - Ele tem uma profissão conceituada; é “técnico” e reputado sapiente no fazer produtivo para seu circuito de relações sociais interativas; e assim por que o ele ajuíza sobre sociedade e política pode ser tão constrangedor, exceto nele? 3 - Ele tem alguma herança na prática transformadora, da matéria prima em úteis ao mercado; mas desde nunca se sujeitou a aprendiz-técnico nem se entregou à manufatura; para poder manter livre a criatividade, a idéia de produtividade em seu sentido artesanal. Suas opiniões culturais e políticas constituem uma estultice independente e alegre com que se incha de preceitos. 4 - Ele tem uma atividade liberal sacramentada no convencionado “círculo superior” da sociedade civil e na política, porém um universo de interesses inextricados atou-lhe uma presilha ao umbigo com o qual dialoga sua estupidez e vitupera seus dissentimentos. À vista de todos que o invejam de sua prosódia fluente. 5 - Ele é da organização experimentada desse sistema e da produção capitalistas. E não são importantes os fatos que vão sendo vistos e julgados e sim como ele desempenha sua interveniência magistral: como pensa e procede na avaliação do que ocorre para convencer interlocutores, produtores e alvores e propor-lhes práticas produtivas, economicidades alterativas e políticas públicas subsidiárias. Sua palavra impositiva é a articulação dos lugares-comuns com as novas tecnologias virtuais. 6 - Ele é um processador intelectual, um demiúrgo dos acontecimentos que só poderão ir aparecendo necessariamente ressaltados pela significação que lhes empresta sua inteligência. Entrementes, ele reflete sobre a singularidade de sua função social, com o privilégio do seu entendimento e na esplendência de sua iluminação sobre o que lhe toca (sua radiante weltanschaaung!) Sua compreensão é inexcedível e sua valorização soberba.
Qualquer desses filhos das classes em conflito pode ser o cretino que lhe cospe ideologia da “classe privilegiada”, que tem um pensamento “científico-filosófico” peculiar porque “politicamente adequado senão “correto”, na justificação de todos os crimes e iniqüidades. E ele será um dos merdas com que tropeçamos todos os dias nas ruas, casas e repartições; e que lhe dirá algumas “palavras definitivas” sobre qualquer assunto do momento.

domingo, 26 de abril de 2009

A BOA ÍNDOLE E A MÁ-FÉ

A morte de Márcio Moreira Alves volta a pôr em discussão a pouca importância de algumas participações políticas na contestação ao “discricionarismo” da ditadura militar, cujo golpe contra as instituições nacional-democráticas foi por ele aplaudido (como o foi pelo “Correio da Manhã”). As atas políticas e as crônicas dos fatos e do próprio deputado-cassado mostram o que realmente aconteceu.
Um herói tem uma causa que o edifica; ela ressalta suas virtudes e ele a engrandece aos olhos de todos. O herói tem uma origem que o ilumina, uma missão que lhe exige sacrifícios e uma dedicação que o eleva acima dos contemporâneos.
A causa da democracia formal não produz heróis. Hoje e nestes tempos não mais. O golpe militar de 1964 ‑ para impor uma ditadura burocrático-militar de classe e um sistema capitalista-monopolista de Estado ‑ mostrou alguns poucos heróis (da causa revolucionária das classes sociais subalternas) que vêm sendo misturados e confundidos com os “resistentes democráticos” e as tantas vítimas da ditadura militar.
Essa má-intenção ideológico-política não pode ser minimizada nesse esforço de “equalização sem princípios”, pois seu intento é glorificar ambigüidades políticas mais do que elogiar pequenas ações desorientadas.
Esse oportunismo político que aproveita a vitimologia para gratificar-se não deve prevalecer. É uma ofensa àqueles que, martirizados, conseqüentes em seu projeto político de classe, deixaram ações exemplares para essa interrupta revolucionarização política do país.

domingo, 29 de março de 2009

CONSCIÊNCIA E REALIDADE POSITIVA

Devo acentuar que o judiciário brasileiro é o valhacouto de todas as corrupções e deformações da vida pública brasileira, através de sua ponte com o interesse privado? Só porque dele se esperam as soluções pelo que assoma em violência social desconforme à convivência em sociedade, ou por ser um poder inamovível e irremediável? Como explicar?
Em corrupção legislativa somos exatamente iguais ao nosso modelo ‑ os Estados Unidos da América ‑, com a diferença de que o grande império incrustou os lobbies empresariais como assessoria parlamentar e o nosso congresso nacional, pudiciosamente, aceita propinas antes das eleições, durante o mandato e depois de deixá-lo; sempre negando que está comprometido “apenas com a atividade econômica”, e também sem alcançar a transparência cínica dos ruralistas e seu pensamento bovino.
Alguém e alguma teoria traduz o encadeamento dos fatos e seu sentido; isso tanto na mística, como na ciência? Até na necessária interpretação política, em que sua hermenêutica é tarefa que vem sendo delegada ao poder econômico-social.
Um texto de Gilles Delleuze me enevoa a cabeça, no sentido da percepção da nossa realidade política: “... Para nós o intelectual teórico deixou de ser um sujeito, uma consciência representante ou representativa. Aqueles que agem e que lutam deixaram de ser representados, mesmo por um partido, um sindicato, que se arrogariam, por sua vez, o direito de serem a sua consciência. Quem fala e quem age? É sempre uma multiplicidade, mesmo na pessoa que fala ou que age. Somos todos grupúsculos. Já não há representação, há apenas ação, ação de teoria, ação de prática em relações de transição ou de rede”.
No que isso ilustra? Sem que eu lhe atribua mais do que um descortínio psicossocial, nós os remanescentes da pretensa “vanguarda do proletariado” não nos conformamos com o deslocamento dessa hipotética representação política. Somos hoje grupelhos e grupúsculos “bem intencionados ou meramente oportunistas”, porfiando demandas sociais, mas na verdade querendo liderar trabalhadores e massas numa sociedade de classes em difração significativa e com vistas a alguma utopia revolucionária sem objeto real.
Essa dissolução entre nós (os agentes sociais) e as classes, que julgamos representar, não seria parte de um malogro intelectual sob uma multipolaridade de conhecimentos e de situações de vida, que não compreendemos porque neles não estamos efetivamente integrados, por baixo? Ou a “pós-modernidade” da cultura burguesa nos aposentou o presente e seu futuro?

EQUÍVOCOS E TROPEÇOS

Atribuíram-me ser redator de um texto do Carlos nos “Amigos 25 Anos” simplesmente porque ia responder no “O que acontece com Aldo Rebelo”? e desisti. Daí em diante, nas indagações e informações constantes sobre as relações entre aquele militante pecedobista com as forças armadas e conservadoras, estou em lugar indevido.
Quanto à ambiguidade do conteúdo: as forças armadas brasileiras continuam representadas por generais que deram o golpe burocrático-militar fascista contra o País e suas instituições democráticas; caçaram, prenderam e torturaram os resistentes para impor uma ditadura do capitalismo monopolista de Estado a serviço da metrópole, os Estados Unidos, e os seus apadrinhados. E hoje ainda pretendem tutelar o povo brasileiro, afrontando-o com declarações contra o comando político presidencial e de seus ministros, contra as lutas sociais do povo e com discursos como os canalhas que defendem os grileiros (na Serra Raposa do Sol e outras fronteiras) e até se “recordam cadete das Agulhas Negras comandados pelo facínora Médici” para então destituir o povo brasileiro de sua soberania. A não ser na cabeça de sociometras não existem “exceções nas nossas forças armadas”: o comando é a tropa e só a palavra e o discurso explícitos em discordância a essa burocracia fardada é que devem ser registrados e não essa justificativa confusa “não são a totalidade”, “são as minorias que mandam” (Como se a maioria nas classes conservadoras, reacionárias, entreguistas, fascistas não fosse liderada pelos mais hábeis, ágeis e “representativos”).
Ademais, a luta de classes permeia todos os partidos, à direita e à esquerda, nas bases e nas cúpulas. Não por outra dinâmica, o Partido dos Trabalhadores e sua aliança de classes no poder político-administrativo está se esbaldando no que dá: a perda de uma oportunidade histórica de alcançarmos mudanças estruturais no sistema produtivo e na autodeterminação nacional, na democratização econômico-política, no desenvolvimento educacional-científico etc; substituindo tudo isso pelo clientelismo-populismo.; principalmente porque a cúpula dirigente do PT confundiu o desenvolvimento brasileiro com sua ascensão social de classe ao poder econômico-político. Para efeitos de clareza: Date-se, anote-se, registre-se e divulgue-se.

sábado, 28 de março de 2009

CADERNO III

“Nos começos foi por efetivos impulso e determinação essa aventura de fazer e construir, mas depois sempre a resistência à opressão política e à exploração econômica mais que seu mando consolidaram os laços entre as gentes e edificaram valores civilizacionais. Agora, entretanto, as classes em pânico apelam a deuses indiferentes ou logo a armas desesperançadas, porque as idéias também ficaram improducentes”. Peres Marquis: “O Espírito Inquieto”.

DE GRAMSCI A ALLEG E FUCIK
“Lá onde Maquiavel exprime a verdade política autoritária, La Boétie formula a possibilidade de sua vertente libertária.” Michel Onfray: “A Política do Rebelde”
Henri Alleg se transformou em memória revolucionária e, pela obra de Jean-Paul Sartre, num símbolo da Resistência Argelina contra o colonialismo francês; Julius Fucik, ativista político, militante revolucionário e um resistente à invasão colonialista-nazista (Tchecoslováquia), se fez mártir da violência capitalista-imperialista e herói paradigmático com seu Testamento sob a Forca; Antônio Gramsci ‑ sendo digno intelectual orgânico do proletariado, ainda que oriundo, “ou por isso mesmo”, de um “à sinistra” liberalismo progressista (Benedetto Croce e Giovanni Gentile) às vésperas da consolidação da sociedade fascista (porta de acesso à “contemporaneidade” por um capitalismo inebriadamente destrutivo) - militante marxista inteiramente dedicado a seu projeto social, paradigma e mártir do ativismo político, do projeto crítico e prática intelectual; deixou um legado que enriquece nossa humanidade, ou apenas esse criticismo político acadêmico?.
Do paradigma para os seres desta planície de pessoas politicamente ativas, podemos destacar os modelos de conduta que nos engrandecem ou envilecem e são fanais para os integrados nas causas sociais, esclarecendo necessárias ações políticas com exemplos. Os demais figurantes os apontam sinceramente como modelos a serem imitados ou contestados; ou, como o faz blandiciosa e maldosamente o fariseu oportunista, lançam acusações aleatórias exemplificando-as com suas “próprias referências ético-políticas” ‑ para então oferecer-se socialmente e obter dignidades e vantagens nos discursos políticos com exaltações éticas: radicalismo de palavras cevado com oportunismo e impostura cínica.
Todavia esses modeladores políticos foram e são casos concretos, em que o perde-e-ganha da política e dos seus projetos sociais se apresentam como situações a serem resolvidas e a serem também eles julgados como “heróis modelares”, nédios militantes ou vilões pelos participantes-coadjuvantes envolvidos na sua causa; embora também, estranha e farisaicamente, por estranhos à vivência desses processos. Todos somos “heróis desistentes”.
O restante correrá à conta da mera curiosidade, perversão política e até mistificação ética quando “passageiros de agonia” ou espectadores até então anônimos se engrandecerem a assumir papel luminar de críticos ideológicos e juízes das autorias nas ações da história.

REMEMBER LUIZ FRANCISCO

A exação de servidor público, o empenho na função pública, o zelo profissional na atividade oficial são características inerentes à assunção de cargo público, qualquer que seja o poder. Nem a leniência por algum débito familista ou político ou a isenção de responsabilidade como paradoxal privilégio de clã ou láurea poderiam (deveriam) desleixar a exigência do rigoroso cumprimento da lei. Esse mandamento é inarredável.
Todavia, se o serviço público vive de normalidades e rotinas melhor se afirma e exalça seus titulados quando a exação, o empenho e o zelo na atividade ganha foros exemplares para toda a sociedade. Assim, ganha o profissional seu mérito, ganha o serviço público a sua eficácia, e ganha a democracia seu reconhecimento.
O delegado Protógenes Queiroz, com o apoio do superintendente Paulo Lacerda, fez do processo contra Daniel Dantas a otimização da processualística criminal na Polícia Federal, porque significativo do combate ao ilimitado poder financeiro, que, não sendo um poder institucional e democrático, extravasa sua força opressiva às relações sociais na sociedade civil até atingir os mais altos poderes da República; submetendo-os a seus interesses.
Temos experiência de que o servidor público costuma ser ilegal e abusivamente tutelado e, para expor publicamente seu fiel cumprimento de obrigações, deve ressaltar o administrador e/ou político que o tutoriza. Lembramos desde o último lustro de 1980 e toda a década de 1990 o que foi a abnegação de autoridades policiais e do Ministério Público na investigação e processo de suspeitos de ilegalidades funcionais e de criminosos do “colarinho branco”: os nomes dos procuradores Luiz Francisco e Guilherme Shelby não se apagaram ainda, não só pelas destemerosas investigações como pelos contragolpes vindos de dentro dos poderes; e então enquanto muitas denúncias não vingavam e persistiam as tentativas de desmoralização desses agentes do Ministério Público.
Eis que os desafetos de Protógenes Queiroz e Paulo Lacerda decidiram retaliar. Intentaram e conseguiram desfigurar o processo policial contra Daniel Dantas através da acusação contra os métodos de investigação empregados. Apontadas incorreções processualísticas, a denúncia se desqualifica juridicamente e o patrão Daniel Dantas se salva. Os “patifes ilustres” Gilmar Mendes, Nelson Jobim, Demóstenes Torres, com ajuda da caniçalha no Congresso Nacional e na “imprensa democrática” a serviço da corrupção institucional e do suborno jurídico se empenharam por Daniel Dantas e contra “o governo Lula”. Resultado: Brasil 0 x conspiração antinacional e antidemocrática 1.
Os mentirosos e caluniadores Gilmar Mendes e Demóstenes Torres nunca provaram ter sido grampeados porém a sua falsidade persistiu numa “existência de “grampos ilegais” (de que a opinião pública não foi informada com provas), mas Paulo Lacerda foi defenestrado pelas vacilações de Luiz Inácio Lula da Silva, e foi pichada em Protógenes Queiroz, suspicazmente, a pecha de oportunista e corrupto transferida desde os acusados e seus consócios nas instituições.

DE ONDE PROVÊM?

De algum modo, somos vítimas do “paradoxo da informação ideal”, de que nos advertem os filósofos. Sob os interesses de classe (e caráter), tendemos a assimilar a ideologia sociopolítica que nos convenha; e então “nossos compromissos” objetivos e subjetivos desprezam quaisquer informações negativas, contrárias. Dessa maneira a intelligentsia contemporânea poderá afirmar e reafirmar a substância social da igualdade de direitos econômicos, sociais e políticos e a liberdade política concreta para consegui-los, o “idiota privatista” prosseguirá rejeitando o “interesse público” que não aproveite ao seu arrivismo.
Mesmo a produção destrutiva do capitalismo tem (teria?) uma finalidade que a sustém; e assim o sistema capitalista chegou a esta fase AD 2000, em que seu impulso-intenção produtora se liquefaz (naufraga) estrondosamente; com as pessoas que acreditavam na falácia liberal-produtiva (ainda que avassaladoramente destruindo natureza e comunidades) aturdidas no que se vai comprovando sua ”má-fé” ante a sociedade e a natureza ‑ sempre ameaçadas pela “ousadia” e cupidez imperial. Quanto a nós, reputados “imbecis coletivistas”, éramos a um tempo “ignorantes dos fundamentos dessa excelsa liberdade” como induzidos por uma “falácia patética” (sentimentalismo orientado para uma “humanização absoluta” ou simples “frustração ante as realizações alheias”) no desprezo à “única fonte real de progresso”: o próprio sistema capitalista e sua “lógica política liberal-democrático-representativa”.
Não pretendia aqui falar das “grandes virtudes” que, de uma ou outra forma, atraem e condicionam nossas atitudes e comportamento, e sim reconhecer que se consensuam nelas, por mais de 2.500 anos, aqueles “valores sociais” que a cultura eclética capitalista diz ter trazido à convivência no trabalho e na sociedade: a justiça, a coragem, a fidelidade, a compaixão, o amor, a temperança e a prudência, para apenas exemplificar, e não com o escopo de contrapor ao “malin génie” (má-fé intrínseca) de que padece a pós-modernidade.
Sabemos de onde provêm as idéias corretas ‑ da experiência científica e da teoria crítica que viemos estruturando ‑; porém “o pensamento politicamente correto” é uma convenção do poder econômico-político, uma falácia alienante jogada sobre o vulgo. Então por que a polidez nos leva a admitir o falaço do provisionado intelectual a babar em nossos ouvidos e a nos reciclar a paciência com a contumélia filosófica da burguesia?
Sugiro-lhes: não acalentar as burrices e dogmas de direita ou esquerda, de alienados e interesseiros, quando pretendem replicar ‑ ao modelo Fernando-Henrique Collor Cardoso, Gilmar Perlífero Mendes, Olavo Oh de Carvalho ou Diogo Decúbito Mainardi, assim alcunhados, respectivamente, como pelegos políticos: 1 - canhestro sociólogo neoliberal, 2 - jurisproduto e “patife ilustre”, 3 - filósofo fementido e 4 - pensador reciclado, cotidiano. ‑ ao que as práticas econômica, política e científica confirmam.

E ANTAS E GATOS-DE-BOTAS

Os sabujos continuam a farejar ora o dono ora a caça enquanto os pastores fabulam agrestemente com os palafreneiros que usam dinner-jacket, mascam chicletes com coca-cola; e na cidade os rapazes-de-programa vão exibindo gourmandises, genealogias e QIs, os rábulas exibindo diplomas, os nerds proclamando sabedorias e os escribas, de mãos-pendentes, fazendo crônicas a serviço de El Fancho, e verrinas contra os republicanos. Assim remanescem as cortes e as herdades como se a nobreza estivesse universalizando seus privilégios.
Entrementes, pode-se caracterizar nessa vigência do dia-a-dia o conceito jornalismo “como prática e discurso mercadológico”?:Constituiria uma torção da natureza e da função profissional e seu sentido? Ou essa atividade passou a ser comunicação social armada de interesse em convencer, persuadir-dissuadir em uma petição de princípio de que “feita a notícia ela seja (se transforme em) verdade essencial” a serviço do poder? Então, as calúnias a serviço da usura e seu poder econômico, as difamações contra os inimigos de El Fancho, as homilias em prestígio do patronato e os ataques aos aspirantes à inclusão social como rebelados à meritocracia da pecúnia, isso passou a ser a intelligentsia do jornadismo de serviços, ou jornalismo de “escol”?
A caniçalha profissional dos escribas de aluguer assumiu uma “cláusula de barreira à comunicação social”, para ressaltar as aventuras econômicas e “tarefas cívicas” de sua imprensa alcunhada “democrática” e amortecer as “responsabilidades éticas da comunicação social” para toda a sociedade. Esses escribas foram promovidos de jornalistas a “portavozes-escritores-auditores de luxo”, destinados a fazer o trabalho sujo da “sugestão institucional”, advertência política, prenoção, chantagem, desmoralização com distorção dos fatos e acontecidos, calúnias de procedimentos e interesses com difamação dos inimigos de seu patrão, El Fancho.
Infelizmente, para toda a categoria profissional da informação social, destacam-se como “sucessos de carreira” os fascistas Boris Casoy, Olavo de Carvalho, Arnaldo Jabur, Diogo Mainardi e ainda os pelegos globais William Bonner, William Waack, Alexandre Garcia, Fernando Mitre, Joelmir Beting.
Dos primeiros conhecemos atitude e procedimentos nos temas e debates sob aparência democrática: o filiamento dos conceitos e os repiques à mídia já industriada no servilismo globalizante. Bóris Casoy se ajustou desde auxiliar da ditadura na Faculdade Mackenzie, nas informações secretas da ditadura à “Folha da Tarde” e continua até hoje a sua estipendiada tarefa; Olavo de Carvalho pegou carona entre os imbecis coletivos a serviço de Washington DC.e desde então faz piqueniques “filosóficos” com aspirantes a político e estudantes imbecilizados pelas “páginas amarelas” da revista Veja; Diogo Mainardi está mais pra um logotipo do imbecil latino-americano no espólio de Paulo Frrancis; e Arnaldo Jabur é o Glauber Rocha que não deu certo e desde então despeja seus ressentimentos sobre “as esquerdas” de todas as cidades e continentes. À prima vista, parece simples falha sistêmica do jornalismo nas “democracias em ajuste” mas são na verdade a própria crise de um mercado abjeto e servil da imprensa senil, porém global.

A CANALHA EM CRISE (II)

A crise está em todos nós, mas é a canalha que está realmente em crise ‑ porém, por recarga, joga sobre nossas costas e sobre o (nosso?) Poder Público (o que restou dele no neoliberalismo) o ônus de recuperar o malbarato financeiro de suas usuras e aventuras. Não bastassem a coerção institucional-política desse “modelo democrático”, a pressão jurídico-política com que nos “civiliza”, a dominação e a exploração de classe com que nos apascenta, temos a exclusão social, o desemprego estrutural e “ocasional” e o confisco social para privatizar os bens públicos, com o Erário público financiando os prejuízos de quadrilheiros e ... canalhas. Nós somos CPFs, empregados, clientes e consumidores ou marginais e excluídos, apenas; eles são CPJs, empreendedores, proprietários, empresários ou a aristocracia e sua meritocracia.
Destarte, as revisitas (“Leia e”) “Veja” e “Isto É”, os pasquins “O Estado de S. Paulo”, a “Folha de S. Paulo”, “O Globo”, “Zero Hora”, o jornadismo “Rede Globo”, “Bandeirantes”, “Record” etcoetera, dizem como sente e pensa o Brasil. Replicando os seus “patifes ilustres” Demóstenes Torres, Gilmar Mendes, Vitor Civita +, Nelson Jobim, Júlio Mesquita +, Ronaldo Caiado, Otávio Frias +, Yeda Crusius, João Saad, Marcelo Itagiba, Lili Marinho +, Sérgio Cabral, José Sarney, Aécio Neves +, Fernando Cardoso Collor de Mello, Raul Jungmann, José Serra e seguidores, e “o etcoetera dos partidos aliados no governo Lula”; constituem o suprème dessa entente democrática do século XXI. (Os assinalados com + representam seus mortos!)
É possível que nós, produtores, consumidores, clientes dessa societas sceleris, por razão de classe, por dependência ou formação política não tenhamos mais que adotar um grupo rebelde, um clube performativo ou algum “partido de esquerda” para resilir sem muita dor. Ou rezar com um desses bíblicos ou evangélicos, do Edyr Macedo ao José Carlos Sobrinho, ou, mesmo, com esse fascistóide Bento XVI. Com qualquer dos vigaristas que vendem a parusia celeste nos altifalantes dos botecos pra atrair a escumalha humana.
Pois bem... o neoliberalismo, agora à esquerda ou “populista-nacional”, vai regendo “a governabilidade” enquanto aquele comodato do poder econômico-político assume as instituições públicas para garantir o sistema econômico em sua forma de propriedade, sua nobiliarquia social, o funcionamento do regime jurídico-político e, naturalmente, a insegurança de emprego e seu desemprego inerente, com a exclusão social.
Sendo isso assunto público, por que o público o ignora? Porque a “política necessária e correta” tem um só eixo: as oligarquias e seus interesses privados. E sua gangorra tem em cada ponta: 1) o sistema de propriedade com fomento e garantias público-institucionais e 2) as classes trabalhadoras, sua instabilidade de emprego/desemprego. E como isso é possível? Além do hábito sistêmico, o aumento da coerção social combinada com repressão jurídico-política e o persuasivo discurso sobre “nossa representação democrática” a cargo dos mandatários políticos, da escola e da imprensa. De permeio, os alienantes e alienados que da família, do celular e da atividade profissional disseminam a servidão voluntária.
Não tem sido fácil conclamar a uma resistência popular-trabalhista, uma vez que eles estão infiltrados nos sindicatos e nas comunidades, e a intelectualidade adotou o estupro como inevitabilidade pós-moderna. Apesar, vamos remando.

sábado, 7 de março de 2009

A “CANALHA EM CRISE”

O Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes assumira a expressão “A Canalha em Crise” do seu Teatro Popular, para caracterizar o açodamento corrupto da burguesia em busca de coroar-se partícipe (príncipe) da plutocracia internacional. Estávamos nas conseqüências políticas do pós-guerra 1945/1964 e o conflito entre a canalha capitalista aspirante ao fastígio cosmopolita e as classes trabalhadoras que se organizavam para ocupar a cena política nacional acirrava sua disputa de hegemonia política. Com o Estado, ainda democrático-nacional pela herança do varguismo-liberal-trabalhista, instado pela política conservadora e pressionado pelo estamento burocrático-militar a desnudar sua substância keynesiana de ditadura-domínio dos bens públicos.
Em outras palavras, o Estado com “equilíbrio de classes” chegava ao fim de suas tarefas democrático-populares, já que as classes trabalhadoras e sua intelligentsia não se mostravam capazes, (não exageremos: com as disputas pela hegemonia política nacional), sequer pela continuidade varguista-janguista de avanços democráticos por via das “reformas nacionais de base”. Nem o populismo de Jânio Quadros, com aparências liberal-populares, na esteira do que fora a União Democrática Nacional em algumas inflexões democrático-trabalhistas, foi, então, admitido pela “Canalha em crise” (O “fiel conservador-liberal”, o Partido Social Democrático, já não estava aceitando associar-se à força trabalhista!)
A afirmação do capitalismo monopolista de Estado em 1964 superou o que havia de “crise de crescimento político-econômico” e aquela canalha já sem vacilações e tropeços assumiu sem rebuços o seu papel histórico: Já advertira Karl Marx que o modo produtivo capitalista não conhece limites e seu sistema sociopolítico se manifesta como “Ditadura do capital” ou, embuçadamente, “Ditadura democrática de direito do capitalismo” (competindo a sua intelligentsia e a seus “patifes ilustres” no poder das instituições públicas explicarem como uma “ditadura pode ser despótica ou democrática”)
Abreviando essa história e seu ensaio político: passamos da ditadura burocrático-militar e sua “abertura lenta, gradual e mefítica” e chegamos ao “udenista civilizado” José Sarney herdeiro do “pessedismo progressista” de Tancredo Neves, “modernizado” pelos Fernandos Collor e Henrique de Mello y Cardoso. A que sucederiam “os restauradores dos direitos democrático-populares”: um conventículo do “Partido dos Trabalhadores” como partido-guia dos remanescentes das lutas sociais pré-1964; só que sob condições de um compromisso histórico-nacional imposto pela hegemonia econômico-política caldeada nas “causas do golpe de Estado de 1964”. Esse é o nosso neoliberalismo “mais à esquerda”.
Quando falamos de financiamento público a bancos e empresas (até mesmo o Estado “assumindo ou redistribuindo cotas”), quando “praticamos os sedutores riscos e atividades público/privadas”, entregamos bens públicos para administração privada. E de repente o berro institucional privado/público: Lili Marinho, Otávio Frias fo., João Saiad ou Gilmar Mendes nos advertem de que “reforma agrária” ou outras pra valer são causas vencidas. A canalha está “vivendo na crise” mas não em crise; o mundo e nós é que perdemos a guia.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

CANALHOCRACIA

Tu vais e vens mas dentro de limites.Fixados por uma lei que não chega a ser tua.Nós temos em comum a experiência do muro.Eugène Guillevic

Tenho-me esforçado no criticar a aristocracia institucional brasileira ‑ por ela mesma assumida “elite brasileira” ainda que à mão grande ela costume peitar benesses no sistema democrático como decisora de lei e de organização social ‑; faço-o sem ofensas nem apodos. Quando a aponto à apreciação pública por causa de interesses nebulosos costumo caracterizar seus agentes como “patifes ilustres”; por empréstimo que faço do conceito ético-moral do filósofo David Hume (Patifes ilustres são aqueles agentes sociais públicos que decidem e julgam as questões segundo seus interesses privados porém os disfarçam sob artigos de lei, regulamentos e normas; para que não se evidencie a “mão leve” com que se nutrem às custas do público).
Todavia, há fatos que não permitem branduras. O parlamento nacional se tem mostrado sequioso de botim no Erário Público, ora a Câmara ora o Senado avocam verba de compensações-gratificações pelo e para o trabalho de “representar a sociedade brasileira”, da qual, no entanto, representam a “afluência” e não o trabalho e a nacionalidade. Os virtuosos canalhas dos tribunais superiores têm mostrado a cupidez pelos “consensos negociais e políticos” que fariam nossa “civilidade” e “jurisdicionalidade”. Recentemente a patifes ilustrados do TSE decidiram, mais uma vez, render prazo num julgamento eleitoral da Paraíba, “avocando vistas” depois de dois anos de estudos e debates. Ora, esses vagabundos e corruptos conheciam demais do que se estava tratando, porém usando de “prerrogativa regimental” adiaram o julgamento; tudo isso feito às vistas da nação perplexa com a criminosa empreitada.
Agora, os “patifes ilustrosos” do Supremo Tribunal Federal passaram recado aos demais poderes: querem aumento (querem não; exigem!) porque sua condição de aristocracia funcionalista ‑ de que depende, em “última instância”, a exação do regime democrático ‑ está sendo demonstradamente “fragilizada” pelas pesquisas econômicas de custos, preços e salários.
Esses “ex-patifes ilustres”, melhor dizendo, toda a canalha dessa canalhocracia que se institucionalizou, vai suportada não apenas por alguma mão ligeira da corrupção burocrática nem pela “falta de decoro parlamentar” de voto a prêmio; sim pela higidez que os poderes deviam ter. Porém, são principalmente os poderes Executivo e Judiciário que modelam e sustém o Estado democrático (e social) de Direito; e sua conduta, naturalmente. O que nos resta, então, senão gritar: Abaixo a canalhocracia!